sexta-feira, 1 de março de 2013
Introdução
EMDR (Eye Movement Dessensitization and Reprocessing) quer dizer: Dessensibilização e Reprocessamento dos Movimentos Oculares [entenda-se através dos movimentos oculares]; é uma ferramenta psicoterapêutica, não interpretativa, muito eficiente, pois é o próprio paciente que, revivendo sua experiência, faz as associações necessárias. Se parece com várias terapias comportamentais tradicionais para reduzir temores em que se exige ao cliente imaginar eventos traumáticos de um modo gradual na presença de um terapeuta de suporte; é uma abordagem que permite acelerar o tratamento de um grande número de patologias e problemas de auto-estima relacionados a experiências traumáticas do passado e condições adversas do presente. Trata-se de um "tipo de hipnose" estimulada pelo movimento rítmico dos olhos, similar ao que é realizado espontaneamente por nosso corpo quando sonhamos (movimentos REM do sono).
foto da Dra. Francine Shapiro A criadora do EMDR (em 1987) e principal proponente é a psicóloga americana Francine Shapiro, Ph.D, Recebeu seu título de doutora em 1988; pesquisadora sênior do Instituto de Pesquisa Mental em Palo Alto (EUA); diretora executiva EMDR Institute para treinar profissionais de saúde mental. Recebeu em 1993 o Prêmio de Realização Científica dado pela Associação Psicológica da Califórnia Ela e seus associados treinaram mais de 22.000 clínicos por todo o mundo em workshops que em 1997 custavam US$ 385, e já tem mais de 30.000 treinados em 52 países
Histórico
A Dra. Francine Shapiro, em maio de 1987, caminhando pelo parque percebeu que alguns pensamentos perturbadores que ocorriam na sua mente desapareceram de súbito, e quando ela trazia estes mesmos pensamentos de volta à mente, já não eram tão incômodos e não tinham a mesma importância de antes. Prestando atenção ao que ocorria percebeu que seus olhos moviam-se espontaneamente para lá e para cá rapidamente, quando os pensamentos perturbadores vinham à mente. Percebeu que ao associar movimentos oculares a estas imagens, a intensidade das perturbações se reduzia, ou chegava mesmo a desaparecer. Era como se, em estado de vigília, pude-se experimentar um processo neurofisiológico similar ao do sono REM (rapid eyes movement) - as ondas cerebrais relacionadas ao período dos sonhos e que têm uma função reparadora muito importante para o nosso organismo. (como opção à técnica de exposição da abordagem comportamental que se mostrava em alguns casos retraumatizante ou insuportável, levando a elevadas taxas de evasão). Alcançou idêntico resultado com outras pessoas. Testou com amigos e posteriormente com ex-combatentes da guerra do Vietnã, percebeu que as pessoas elaboravam os eventos traumáticos. Em suma ela trabalhou com 70 pessoas durante 6 meses e desenvolveu um procedimento padronizado.
Nesse primeiro momento o tratamento centrava-se no diagnóstico de Transtorno do Estresse Pós - Traumático (T.E.P.T.) com resultados positivos.
O principio básico expõe uma crença em um movimento reparador natural do organismo. Assim como o corpo está biologicamente adequado para buscar a saúde ("cicatrizando feridas" através da complexidade de seu sistema imunológico), há no sistema de processamento de informações uma tendência a gerar estados de saúde mental desde que esteja desbloqueado para seguir seu rumo e seu fluxo. Parte-se, portanto da crença em um processo de maturação e auto-cura reparadora desde que se provenham as condições favoráveis para que esse processo espontâneo se dê. Quando o paciente combina a memória do trauma aos movimentos laterais dos olhos, ativa mecanismos cognitivos e fisiológicos que reprocessam o trauma e dessensibilizam a ferida, como sugere o nome da terapia. Ao focar a experiência e simultaneamente ativar a estimulação bilateral através do foco dual da atenção (no estímulo presente e na memória passada) há uma transmutação resultante que ocorre espontaneamente em direção à saúde.
Em março de 1990, como resultado da experiência de treinamento e da avaliação subseqüente de centenas de casos, Shapiro fez mudanças desde a formulação comportamental inicial de simples dessensibilização da ansiedade para um paradigma mais integrativo de processamento de informação. Ao E.M.D.R., foi acrescentado também vários estímulos, não somente o dos olhos mas, estímulos bilaterais. Francine criou um protocolo, que facilita sua administração e a maneira de ensiná-lo.
Informações para Terapeutas
O terapeuta que aplica o EMDR deve ser certificado através do EMDR Institute, ter completado os níveis I e II do treinamento, com posterior supervisão.
Recomendações para o uso da terapia E.M.D.R.
O EMDR pode ser aplicado em transtornos de estresse pós-traumático, ou seja, reações de angústia ou ansiedade evasivas em pessoas que passaram por eventos traumáticos: guerras, rebeliões, assaltos, acidentes, abusos sexuais ou físicos, enchentes, perdas inesperadas (morte, finanças), abandonos afetivos, fobias, desordens de aprendizado, e muitos outros problemas mentais e emocionais, ansiedade, pânico, depressão, transtorno de personalidade múltipla, e também as crenças limitantes apresentam respostas benéficas com o E.M.D.R.
O sucesso obtido nos resultados clínicos do tratamento com E.M.D.R. feito por cerca de dez mil clínicos treinados até agora demonstrou ampla gama de aplicabilidade do método. Por exemplo, um levantamento financiado pelo Departamento de Assuntos Ligados a Veteranos (Department of Veteranns Affairs - DVA) entrevistou clínicos treinados em E.M.D.R. que haviam tratado mais de dez mil clientes. Descobre-se que aproximadamente 74% desses clínicos citaram mais efeitos benéficos de tratamento com E.M.D.R. do que outro método utilizado, enquanto apenas 4% afirmaram ter tido um êxito inferior.
Diversos estudos feitos com vítimas de agressão, estupro, abuso sexual, físico ou verbal na infância e adolescência, acidentes, catástrofes, perdas dolorosas, guerras, assaltos e seqüestros, indicam que este é um método capaz de reduzir rapidamente os sintomas assim como processar as memórias traumáticas além de promover uma significativa reestruturação cognitiva. É o método usado no tratamento do trauma que possui mais estudos controlados sobre sua eficácia em relação a outros métodos. Quatorze pesquisas controladas estudaram a eficácia de EMDR, fazendo deste o método o mais pesquisado no tratamento de trauma. Os 5 estudos mais recentes com indivíduos que sofreram em eventos como estupro, combates, perda de uma pessoa querida, acidentes, desastres naturais, etc. tiveram como resultado que 84-90% dos pesquisados não tiveram sintomas do Estresse Pós Traumático depois de três sessões de tratamento.
Uma sessão começa com a identificação de algo que perturba ou limita o paciente. Focalizado o problema, a pessoa é convocada a forçar a lembrança de imagens do evento que causou o trauma tão vividamente quanto possível e então se pede que o paciente acompanhe os movimentos do terapeuta, que conduz um conjunto de movimentos oculares, sendo conduzida a repetir os mesmos movimentos com os olhos que fazemos espontaneamente durante o sonho.... mantendo a mente focalizada no material perturbador. O método envolve que ele procure estimar sentimentos estabelecidos antes e após acompanhar visualmente o dedo do terapeuta conforme ele se move para frente e para trás na frente dos olhos do cliente.É esse movimento dos olhos que, de alguma forma, abre os canais de livre associação entre várias áreas de pensamento, disparando a "digestão" de informação e o processo de autocura.
O método consiste em pedir que a pessoa fale sobre a imagem perturbadora da memória traumática, além de dizer que pensamentos e crenças negativas ela têm a respeito da situação ou de sua participação na mesma (tais como "me sinto suja", "eu não valho nada"). Essa crença é chamada de cognição negativa.
Pede-se ao indivíduo que retorne a memória traumática e a cognição negativa e atribua um valor ao nível de ansiedade, utilizando uma escala de Unidades Subjetivas de Perturbação (Subjective Units of Disturbance - SUD) de 11 pontos onde 0 (zero) representa uma unidade neutra e 10 equivalente à máxima ansiedade possível.
Pede-se ao indivíduo que verbalize um pensamento ou crença positivas que gostaria de ter a respeito de si mesmo (tais como: "eu tenho valor", "eu estou no controle" ou "fiz o melhor que pude") e que se atribua um valor ao qual verdadeiramente lhe parece tal crença por meio de uma escala diferencial semântica de 7 pontos denominando Escala de Validade de Cognição (Validity of Cognition - Voc), no qual 1 representa "completamente falso" e 7 (sete) significa "completamente verdadeiro".
Adverte-se ao indivíduo que use suas sensações viscerais como base para seu julgamento, ao invés de qualquer análise intelectual.
Limites da Eficácia
A respeito de problemas para os quais o E.M.D.R. em geral não apresentava efeito algum, o transtorno obsessivo - compulsivo foi claramente o mais citado.
Duas Perguntas Mais Frequentes
Quanto tempo de tratamento com EMDR, uma pessoa precisaria?
O E.M.D.R. é aplicado por cerca de 1 hora a 1 hora e meia. Para o tratamento, são necessárias, geralmente, menos de dez sessões, dependendo do caso, uma ou duas sessões são suficientes. Se o trauma não estiver associado, não há recidiva...
EMDR é uma hipnose?
Apesar de eventualmente ser confundido com a hipnose, EMDR não é hipnose, leituras eletroencefalográficas comprovam que as ondas cerebrais envolvidas no processo são as tetas e em vigília, o paciente está acordado e consciente. Enquanto na hipnose as ondas predominantes são alfa e beta, há uma indução e as memórias são ativadas através de momento a momento. Com o EMDR notamos saltos nas lembranças... mudança de alvo... e rápida. As teorias a respeito de EMDR ainda são recentes.
O processamento de EMDR permite desbloquear o sistema de processamento de informações do cérebro, fazendo com que as imagens, sons, sentimentos e sensações não mais sejam revividos quando o evento é trazido à memória - ainda que possa ser lembrado, seu efeito perturbador desaparece ou diminui sensivelmente.
Uma sessão começa com a identificação de um problema específico a ser focalizado (tema). O cliente normalmente traz registros traumáticos, angustias, uma lembrança ou mesmo uma autohipnose negativa. Procura manter em sua mente uma cena, um sentimento, uma localização corporal de sentimentos, um pensamento ou ainda as crenças negativas relacionadas com a dificuldade a ser trabalhada. O terapeuta a partir disto pede ao cliente que se fixe no tema escolhido ou no sentimento e começa uma série de estimulações dos olhos ou através de tapping (pequenos tapas nas pernas), entre outras. Isto conduz o cliente a uma série de sentimentos e lembranças, com isto processando automaticamente o trauma ou tema escolhido.
Durante a aplicação da técnica é comum acontecer algumas ab-reações (crises de choro, ou angústia). O EMDR já utiliza algo parecido com o Lugar Protetor, que é denominado de local seguro. Tal local é uma imagem positiva criada pelo cliente (durante a fase de preparação). Tal lugar deve ser usado como local de descanso durante os reprocessamentos prolongados ou como uma maneira de aliviar ou reduzir a angústia ou perturbação do cliente ao final de uma sessão incompleta. Também pode ser utilizado com clientes que não conseguem relaxar, que ficam muito vigilantes, ou clientes condicionados a não relaxar por medo de ser abusado de novo. O local seguro é de grande valor para restabelecer o equilíbrio do cliente antes do processamento do EMDR.
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